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Nº270

Autofagia energética: solar ao meio-dia, escassez no fim da tarde

Mercados com muita solar oscilam entre excedente ao meio-dia e escassez no fim da tarde. Em artigo desta quinta-feira, o economista Daniel Lima parte do caso dinamarquês para descrever o que chama de autofagia energética: ao comprar no vale e vender no pico, as baterias achatam a curva e comprimem o spread de quatro horas que remunera a arbitragem.

No desenho brasileiro, a questão foi resolvida antes de a primeira bateria operar. A Portaria Normativa MME nº 136, de 1º de junho de 2026, prevê contratos de 15 anos e receita fixa anual reajustada pelo IPCA. O artigo 9º, parágrafo 5º, inciso IV exige que essa receita cubra todo o uso das usinas pelo ONS, sem receitas adicionais fora do CRCAP.

A bateria contratada no leilão vive de disponibilidade: quatro horas por ciclo, até dois ciclos por dia, com desconto mensal por desempenho. A compressão de spread descrita no artigo atinge o projeto merchant.

O mesmo equipamento sustenta dois negócios, e a escolha vem antes da compra: receita fixa por 15 anos, ou exposição a um preço horário que o próprio armazenamento tende a aplainar.

FontesMME, Portaria Normativa nº 136, de 1º/6/2026, https://lnkd.in/dGBERjfE

Publicação original. Esta análise foi publicada na página da Linus Green Energy no LinkedIn. Abrir a publicação no LinkedIn ↗