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Nº97

O caminho energético próprio do Brasil e o BEN 2026

Em artigo de 11 de setembro de 2026, "Brazil Does Not Need to Copy Someone Else's Energy Transition", Dr. Wang Zhiqiang sustenta que o Brasil deve montar sua arquitetura energética a partir dos próprios recursos, em vez de reproduzir modelos europeus, do Oriente Médio ou da China. Defende combinar eletricidade renovável, armazenamento, hidrogênio e bioenergia local conforme a aplicação industrial, e aponta a mineração como o caso mais claro.

Os dados públicos dão base ao ponto de partida. Segundo o Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2026, da Empresa de Pesquisa Energética, publicado em 3 de junho de 2026 com ano-base 2025, a participação de renováveis na matriz elétrica foi de 86,8%, a matriz energética da indústria tem renovabilidade de 65,1% e o setor elétrico emitiu 64,8 kg CO2 eq por MWh.

Base limpa, porém, não é projeto financiado. Integrar rede, geração própria, baterias, bioenergia e hidrogênio num único complexo industrial exige capital inicial sem dono óbvio: a mineradora quer contrato, o desenvolvedor quer garantia de receita e o financiador quer histórico operacional.

A vantagem descrita no artigo é real e mensurável no BEN 2026. Convertê-la em vantagem de sistema depende de haver, em cada planta, consumidor disposto a contratar por prazo longo o bastante para bancar o investimento inicial.

English version

In an article dated 11 September 2026, "Brazil Does Not Need to Copy Someone Else's Energy Transition", Dr. Wang Zhiqiang argues that Brazil should build its energy architecture around its own resources rather than reproduce European, Middle Eastern or Chinese models. He proposes combining renewable electricity, storage, hydrogen and local bioenergy according to the industrial application, and points to mining as the clearest case.

Public data support the starting point. According to the Summary Report of the National Energy Balance 2026, from Empresa de Pesquisa Energetica, published on 3 June 2026 with 2025 as base year, renewables accounted for 86.8% of Brazil's electricity mix, industry's energy mix is 65.1% renewable, and the power sector emitted 64.8 kg CO2 eq per MWh.

A clean base, however, is not a financed project. Integrating the grid, own generation, batteries, bioenergy and hydrogen into a single industrial complex requires upfront capital with no obvious owner: the miner wants a contract, the developer wants revenue security, the lender wants an operating track record.

The advantage the article describes is real and measurable in BEN 2026. Turning it into system advantage depends on each site having a customer willing to contract long enough to carry the initial investment.

FontesEPE, Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2026 (ano-base 2025), 3 de junho de 2026, https://lnkd.in/eQvEutQW

Publicação original. Esta análise foi publicada na página da Linus Green Energy no LinkedIn. Abrir a publicação no LinkedIn ↗